Museu, Pedro Cabrita Reis

Pedro Cabrita Reis, Museu, 1991

PM 0227.jpg

[PCR, E outros sítios mais #13, 2010.]

MUSEU

Museu é uma metáfora.

O museu também.

O primeiro é um sonho. Como um corpo dentro de outro corpo. Olhando de dentro,

reconhecendo a matriz inicial mas transportando em si mesmo a diferença.

O outro – o museu – é uma vertigem que se alimenta duma intenção: a memória.

Que estranha atracção conduzirá ao acto de juntar numa casa imagens daquilo que se

pensa ser a nossa essência?

Que fascínio permite forjar uma certa natureza de nós mesmos para que os que vierem a

seguir a tenham como sua memória?

Que género de ansiedade nos obriga a rever naquilo que juntamos a dilatação do tempo

da existência?

Museu são escadas e corredores que se dirigem a, ou vêm de outras escadas e de outros

corredores. Materializada pelo olhar, essa circulação não pressupõe uma ordem. É

apenas a metáfora dum movimento gerado por segmentos abstractos de tempo,

intermutáveis entre si e qualquer dos seus momentos, alheios a qualquer

hierarquização.

Museu não fala da estrutura do museu. Pretende antes captar a ressonância das

intenções que levam à edificação deste.

Pretende ser uma obra sobre o desejo de juntarmos, guardarmos e conservarmos as

obras que alguns de nós fizeram, fazem ou venham a fazer.

 

Pedro Cabrita Reis

Los Angeles, 6 de Junho, 1991

 

Pedro Cabrita Reis (Lisboa, Portugal, 1956) artista…

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