O Museu a Haver

Filipa Oliveira (curadoria), O Museu a Haver, Fórum Eugénio de Almeida, Évora, 2015

[imagem: Pedro Barateiro, A Audiência, 2010. 19 Esculturas individuais apresentadas como um grupo, plintos, cadeiras, cimento, madeira, cartão, material fotocopiado, fotografias, plástico, barro, tinta, gesso, folha de ouro. Dimensões variáveis. Col. “La Caixa” Arte Contemporâneo, Barcelona.]

 

Caro visitante

Se pudesse sonhar um museu, como seria?

Começar a programação de um espaço de arte contemporânea apresenta-se como um grande desafio. ‘Qual deveria ser a primeira exposição desta nova programação?’ Só há um começo, só há uma primeira vez. Depois vem tudo o resto.

Queria assim que este momento inicial marcasse toda a linha programática a desenvolver no Fórum Eugénio de Almeida. Uma exposição-manifesto. O Museu a Haver é exatamente isso: uma declaração de princípios. E declara-os não enunciando uma lista mas antes partindo de uma série de perguntas que possam ajudar a refletir sobre o lugar e importância de espaços como o Fórum Eugénio de Almeida, hoje em dia. ‘Para que serve a arte e as exposições? Para que servem os curadores? Para que servem os museus? Como é que nós, enquanto público, nos relacionamos com esta entidade? Desejamo-la? Sentimos a sua falta? Queremos o museu que nos é devido ou apenas aquele que nos é dado? E para quê queremos este museu? Que lugar queremos que este museu que sonhamos tenha na nossa comunidade?’. O intuito da exposição não é tanto o de dar resposta a estas perguntas mas o de lembrar que cada um de nós as encontra, cria e constrói e ao mesmo tempo afirmar o Fórum como um lugar de criação e construção de cada indivíduo e da própria sociedade.

A exposição junta um conjunto de artistas e de obras que se debruçam sobre muitas das questões que é essencial começar a refletir: participação, partilha, diversidade, problematização, comunidade, criação de novas histórias e novos modos de olhar. Para embarcarem nesta primeira aventura, foram convidados os Aires Mateus, Alejandro Cesarco, Alicja Kwade, André Komatsu, Anne Collier, Beatriz Gonzalez, Carla Filipe, Carlos Garaicoa, Candice Breitz, Dora Garcia, Fernanda Fragateiro, Francis Alÿs, Futurefarmers, Guido van der Werve, Jeppe Hein, Latifa Echakhch, Luis Camnizter, Musa Paradisiaca, Pedro Barateiro, Rivane Neuenschwander, Rosa Barba, Runo Lagomarsino, Vasco Araújo e Yona Friedman.

Esta exposição é o início de um caminho e de uma nova relação que o Fórum Eugénio de Almeida quer estabelecer com a cidade de Évora e com o país. Uma voz que, querendo afirmar-se plenamente na sua geografia concreta, quer ser ouvida muito além dos muros desta cidade. Assim, ela inaugura uma reflexão programática do Fórum Eugénio de Almeida em torno do dilema de como articular a singularidade e a especificidade do contexto local com o pensamento e os desafios da criação artística contemporânea internacional.

Por ser um caminho novo, que traz consigo uma nova visão, este primeiro press-release foi escrito de uma forma diferente. Não é um comunicado de imprensa mas é antes uma carta, escrita a cada um dos visitantes deste espaço, a cada um dos habitantes desta cidade, a cada um dos artistas com quem colaboramos ou com quem queremos colaborar, uma carta aos nossos parceiros, aos nossos amigos, aos nossos futuros parceiros e futuros amigos e que diz apenas isto: vamos juntos sonhar um novo museu.

Filipa Oliveira

Curadora

Filipa Oliveira (Lisboa, Portugal, 1974) curadora…

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